Cavaleiro

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Os créditos da ilustração são de André Marques - www.andre.art.br

Padre Landell de Moura - O Pioneiro do Rádio no Mundo

http://br.geocities.com/preserveoam/landell.htm          

10/08/07

PALAVRAS-CHAVE: história + rádio, "Landell de Moura", rádio + origem, "Roberto Landell de Moura".


O padre e cientista Roberto Landell de Moura nasceu em Porto Alegre, em 21 de janeiro de 1861, numa casa localizada na Rua Bragança, atual Rua Marechal Floriano. A residência se situava na esquina desta rua com a então Praça do Mercado. Em 19 de fevereiro de 1863 foi batizado na Igreja do Rosário, onde mais tarde se dedicaria às atividades de vigário. Era o quarto filho de Ignacio Ferreira de Moura e Sara Landell de Moura, que tiveram ao todo quatorze filhos. Os dois pais de Roberto Landell eram descendentes de ricas famílias gaúchas, de ascendência britânica.
Através do pai, Roberto Landell aprendeu a ler e escrever. Depois freqüentou a Escola Pública do Professor Hilário Ribeiro, e mais tarde no Colégio do Professor Fernando Ferreira Gomes. Em 1872, na idade de onze anos, estudou no Colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Conceição, na cidade de São Leopoldo, na Grande Porto Alegre, onde concluiu o curso de Humanidades. Seguindo para a então capital do Brasil, o Rio de Janeiro, cursou a Escola Politécnica.
Juntamente com o irmão Guilherme Landell, Roberto viaja para Roma. Em 22 de março de 1878 ambos se matricularam no Colégio Pio Americano, e depois a Universidade Gregoriana. Nesta instituição, Roberto foi ordenado padre. Retornou ao Rio de Janeiro em 1886.
No Rio, Roberto Landell residiu no Seminário São José, e ainda em 1886 rezou a sua primeira missa, na Igreja do Outeiro da Glória. A missa foi realizada para o Imperador Dom Pedro II e toda sua comitiva. Favorecido com a situação, Roberto Landell conversava com o Imperador a respeito das idéias que o padre estudava sobre transmissão da imagem e do som. Roberto substituiu o coadjutor do capelão do Paço Imperial, e continuou expondo suas idéias científicas a Dom Pedro II.
Em 28 de fevereiro de 1887, Landell foi nomeado capelão da Igreja do Bomfim e se tornou professor de História Universal no Seminário Episcopal de Porto Alegre. A 25 de março de 1891 se tornou vigário, durante o período de um ano, na cidade de Uruguaiana, também no Rio Grande do Sul. Em 1892, Landell é transferido para o Estado de São Paulo, onde exerceu a função de vigário nos municípios de Santos, Campinas e na localidade Santana, na capital paulista e capelão do Colégio Santana, também em São Paulo.
Em julho de 1901 o padre viajou para os Estados Unidos da América do Norte. Retornou à cidade de São Paulo em 1905, sendo diretor das Paróquias de Botucatu e Mogi das Cruzes. Em 1908 regressou ao Rio Grande do Sul onde foi diretor da Paróquia do Menino Deus e, no ano de 1916, da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário.
Padre Landell foi precursor da radiotelefonia, tendo realizado experiências com telefonia sem fio. É também considerado o inventor do rádio, pois, em 1893, antes do cientista Guglielmo Marconi testar seu primeiro experimento com a transmissão de rádio, Landell realizou, do alto da Avenida Paulista para o alto de Santana, as primeiras transmissões de telegrafia e de telefonia sem fio, numa distância de oito quilômetros medidos por linha reta. Landell utilizava aparelhos transmissor e receptor inventados por ele. Estavam presentes no evento políticos locais, investidores estrangeiros e o próprio povo que estava perto do local. No ano seguinte, Landell fez sua primeira experiência com telégrafo sem fio.
Em 09 de março de 1901, Landell obteve uma patente brasileira com registro número 3279, referente a um “aparelho destinado à transmissão phonética à distância, com fio ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso”. Landell surpreende não apenas por ser pioneiro, mas por desenvolver sozinho todos os estudos que possibilitaram as experiências com transmissão e recepção de som. Ele acumulava as funções de cientista, de engenheiro e de operário de seus inventos.
Em julho Landell viaja para os Estados Unidos, com o objetivo de obter patente para seus inventos. Ele adquire três patentes na cidade de Washington: “Transmissor de Ondas” - aparelho precursor do rádio, em 11 de outubro de 1904, patente de número 771.917; “Telefone sem fio” e “Telégrafo sem fio”, em 22 de novembro de 1904, patentes de números. 775.337 e 775.846. Nas patentes são agregados vários avanços técnicos como a transmissão por meio de ondas contínuas, através da luz, princípio da fibra óptica e por ondas curtas; e a válvula de três eletrodos, peça fundamental no desenvolvimento da radiodifusão e para o envio de mensagens. Uma réplica do primeiro aparelho inventado por ele, o transmissor de ondas, foi construída por pesquisadores da Fundação da Ciência e Tecnologia (CIENTEC), em Porto Alegre, no ano de 1984.
Ainda em 1904 o Padre Landell inicia os testes precursores de transmissão da imagem. Em outras palavras, testava aquilo que viria a ser a televisão. Ele também testou a transmissão de textos, sendo precursor do teletipo,tão utilizado nos telejornais para envio de notícias pelas agências internacionais. Ambas as experiências eram feitas à distância, por ondas que, segundo um jornal paulista, eram denominadas de Ondas Landeleanas.
As Ondas Landeleanas, desenvolvidas pelas teorias científicas do Padre inventor, apesar de serem, aparentemente, do mesmo número das Ondas Hertzianas, diferem bastante destas últimas, pois estas são ondas mais ou menos amortecíveis e produzidas por movimentos vibratórios elétricos sem Constância nem Uniformidade, que vão aos poucos, decrescendo. Enquanto isso, as Ondas Landeleanas não estão sujeitas a tais transformações e são produzidas por movimentos vibratórios elétricos, cujos valores de ondulação são contínuos e permanecem sempre iguais.
Por isso, as Ondas Landeleanas desempenham, no seu sistema de telegrafia e telefonia-sem-fio, o papel de um condutor metálico. A idéia da criação desse campo de ondulação por meio do espaço, além de ser uma grande descoberta, tornou-se de grande alcance prático e científico, porque pode ser aproveitado para diversas finalidades. Através dessa idéia, baseava-se Landell na possibilidade de transmitir, também sem fio, a imagem a grandes distâncias. Daí ele ter concebido a idéia de televisão que hoje é trabalhada.
As descobertas de Landell começaram a ser utilizadas pelas Forças Armadas. Assim que o padre retornou ao Brasil, a Marinha de Guerra do Brasil realizou, no dia 01º de março de 1905, testes com a telegrafia por centelhamento, no encouraçado Aquidabã. Foram utilizados no experimento os aparelhos patenteados em 1901, no Brasil, e em 1904, nos Estados Unidos. A façanha credita à Marinha de Guerra brasileira o pioneirismo na radiotelegrafia permanente.
Landell, por ter sido o primeiro radioamador do mundo, é considerado o Patrono da Radiodifusão Amadora. É também Patrono dos Dexistas, radioamadores que, por hobby, fazem a chamada "rádio escuta", sintonizando várias rádios pelo mundo todo em busca de informação, entretenimento e curiosidades, podendo colaborar na comunicação e na transmissão de dados atuais no Brasil.
Roberto Landell, além das ciências físicas, se interessou pela química, biologia, psicologia, parapsicologia e medicina, sendo o primeiro cientista brasileiro que obteve o registro internacional de uma invenção pioneira. Suas descobertas estão servindo à humanidade do mundo inteiro até os dias de hoje, dando a Roberto Landell um prestígio e uma importância comparáveis ao engenheiro Alberto Santos Dumont, inventor do avião e do relógio de pulso.
Landell de Moura foi Cônego do Cabido Metropolitano de Porto Alegre. Em 17 de setembro de 1927 foi promovido, pelo Vaticano, a Monsenhor, e em janeiro de 1928 foi nomeado Arcebispo. Aos 67 anos, no dia 30 de junho de 1928, sábado, às 17:45 horas, o padre faleceu anonimamente, abatido pela tuberculose, num modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre. No internamento no hospital e no enterro do padre cientista, estavam presentes amigos próximos, parentes e admiradores.
Na celebração do Primeiro Centenário da bem sucedida experiência pública do Padre Roberto Landell de Moura, acontecida em 1893, foi inaugurado um monumento em homenagem ao cientista, no dia 07 de junho de 1993, às 16:30 horas. O monumento está localizado na cidade de Santa Maria-RS, em frente ao Santuário de Nossa Senhora Medianeira.



SANTOS DUMONT
SEGUNDO LANDELL DE MOURA

Extraído da revista Domingo (Jornal do Brasil), em 14 de maio de 2006.

Assim o que foi Santos Dumont para a navegação aérea quanto ao mais leve e o mais pesado, foi o autor dessas linhas para a transmissão sem fio tanto do sinal inteligente como da palavra articulada.
Santos Dumont está bem, porém o seu colega contemporâneo vive esquecido porque cometeu um crime, o de querer sair da sacristia para mostrar ao mundo que a religião nunca se opôs ao progresso da humanidade e que o sol também passou e ainda continua a passar por essas plagas como vida. Tudo quanto tem feito o autor dessas linhas obedece as suas teorias sobre a unidade de forças e harmonia do universo, outrora muito combatida, porém hoje admitida por ele, e outros mais felizes conseguirão confirmá-la com os fatos.

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