Cavaleiro

Cavaleiro
Os créditos da ilustração são de André Marques - www.andre.art.br

Invento de Nikola Tesla pode salvar mineiros presos

Mineiros presos em minas podem usar esse gerador e receptor de ondas magnéticas para se comunicar com a superfície no caso de acidentes.

Enquanto o mundo acompanha com apreensão a longa operação de resgate dos mineiros presos em uma mina de cobre e ouro no Chile, um engenheiro aposentado dos Estados Unidos redescobriu uma técnica que poderá minimizar o impacto de incidentes como esse no futuro, agilizando a chegada do socorro.



Gerador de ondas magnéticas

O engenheiro Gary Smith foi o inspirador da redescoberta de um conceito desenvolvido por Nikola Tesla há mais de um século.

Nikola Tesla (1856 - 1943), sérvio de nascimento, naturalizou-se estadunidense. Foi um notável inventor, especialmente nas áreas do electromagnetismo, da engenharia mecânica e da eletrotécnica, principalmente com experimentos com corrente alternada.

O pioneiro da eletricidade e das radiotransmissões já havia previsto que um gerador de ondas magnéticas pode ser usado para fazer transmissões sem fios.

O "rádio magnético" é basicamente um eletroímã, que pode ser alimentado por corrente alternada comum ou mesmo pela corrente contínua de baterias, tornando-o útil em situações de emergência.

Quando a eletricidade passa por um fio, devidamente enrolado em torno de um núcleo metálico, cria-se um campo magnético de baixa intensidade que pode alcançar centenas de metros. Da mesma forma que as ondas de rádio, esse campo magnético pode ser modulado para transmitir informações.

Contudo, ao contrário dos rádios, dos telefones celulares e dos telefones via satélite, cujas ondas não conseguem atravessar rochas, argila ou outros materiais que conduzem eletricidade, o sinal magnético atravessa facilmente as rochas mais densas.



Rádio magnético

Tesla experimentou esse conceito de comunicação por ondas magnéticas nos anos 1890, acreditando que ele fosse uma alternativa ao telégrafo de Marconi. Mas o alcance muito curto das transmissões, assim como a alta incidência de ruídos, desfez seus planos.

Mas o alcance não é um problema na maioria das situações de emergência envolvendo acidentes em minas, afirma David LeVan, da empresa Lockheed Martin, que desenvolveu o conceito inspirado por Gary.

O dispositivo de comunicação por ondas magnéticas, batizado de MagneLink ( Magnetic Communication System), tem o tamanho de uma geladeira, e se mostrou capaz de oferecer comunicações seguras através de 500 metros de rocha sólida. Isto, segundo os engenheiros, atende a mais de 85% dos acidentes em minas subterrâneas.

Usando as tecnologias mais modernas de processamento de sinais, usadas nos telefones celulares, os engenheiros conseguiram praticamente eliminar o problema dos ruídos. Além de mensagens de voz, o protótipo também pode ser usado para enviar mensagens de textos.

Fonte: sítio Inovação Tecnológica - http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=invento-nikola-tesla-radio-magnetico&id=010110100903

A matematização da natureza

Por: Adílio Jorge Marques


INTRODUÇÃO

Descartes legou para o futuro da ciência a sua tentativa de "geometrizar" a natureza. Quais os motivos, contudo, que levaram a uma “matematização” no estudo da natureza no modernismo? Qual a importância da participação de alguns grandes nomes das ciências físicas e matemáticas da época?

Inicialmente, lembremos que a visão de mundo relacionada ao movimento da Terra em torno do Sol levou a algo tão importante que mudou o mundo e a ciência. Foi algo que também levou Giordano Bruno à fogueira e Galileu à prisão domiciliar. O estabelecimento do heliocentrismo evidenciou-se com os estudos de observações da natureza feitas por Copérnico, Kepler, Tycho Brahe, coroadas também pelas teorias matemáticas de Galileu Galilei e Isaac Newton. Coube a este último fazer a grande síntese da mecânica e da gravitação unificando a física do céu e da Terra, explicando por uma mesma teoria os movimentos planetários em torno do Sol e o movimento dos corpos na Terra.

Segundo T. Kuhn, em sua obra “A Estrutura das Revoluções Científicas”, determinados processos se repetem ao longo da história, possivelmente de maneira intermitentemente e, desta forma, abrem sempre novas formas de pensar, rompendo paradigmas. O pensador Alexandre Koyré usa a expressão “matematização da natureza” tanto para o alinhamento de pensamento platônico desde Pitágoras (passando por Platão até Aristóteles), quanto para a revolução científica galileana na linha histórica de pensamento Galileu-Descartes-Newton, variando apenas a potencialização da racionalidade promovida por esta matematização. Ambos são momentos históricos e filosóficos diferentes, nos quais o homem passou a ver a natureza como uma espécie de livro que poderia ser descrito pela matemática.

Vemos com isso que nossa visão da natureza muito se relacionou à visão racional grega, como mostrado na linha de pensadores acima. As antigas questões espirituais e filosóficas, como “Quem sou?”, “Onde estou?”, “O que é o ser?”, “O que é o mundo?” ainda movem paralelamente a ciência e os homens na busca pelo conhecimento.


IDÉIAS GERADORAS DO MÉTODO CIENTÍFICO

O método de Francis Bacon foi importante para a ciência moderna, consistindo essencialmente em observar os fatos, existindo duas formas de se buscar a verdade. A tradicional, indo direto dos sentidos aos axiomas gerais, como indicava a indução aristotélica; e a proposta baconiana de recolher os dados dos sentidos ascendendo contínua e gradualmente até alcançar os princípios da máxima generalidade. Bacon valorizava o desenvolvimento das artes mecânicas, defendendo a busca controlada das causas para obter os efeitos desejados. Com isso abriu um largo caminho para os pensadores que se seguiram. Escreveu ele no seu “Novum Organum” que o homem só poderia ampliar o conhecimento descobrindo a ordem natural das coisas através da observação e da razão, pretendendo assim estabelecer uma nova lógica de base empírica.

Posteriormente Isaac Newton, no prefácio de sua magistral obra “Principia”, vai referir-se também aos artifícios e à mecânica prática. O segundo livro dos “Principia” se ocupou de problemas práticos, embora sua maior contribuição geral não seja esta, mas a nova concepção do mundo físico apresentada pelo autor nos primeiro e terceiro livros. O precursor de Newton, Galileu Galilei, deixou claro nas suas obras que agradecia aos artesãos do Arsenal de Veneza pelos ensinamentos práticos que recebeu, possibilitando o desenvolvimento de suas teorias.

Descartes propôs uma concepção de natureza através de números combinados com figuras, configurando geometricamente os movimento. Com seu sistema de eixos coordenados (chamados de “eixos cartesianos” em sua homenagem) associou a cada ponto do espaço uma tríade de números (normalmente usa-se nas escolas x, y, z). Fundiu a geometria analítica com a álgebra, associando equações às curvas e superfícies. Descartes fez o espaço real de nosso mundo tridimensional identificar-se com o da geometria, uniu realidade e matemática, e nesse espaço o movimento se dava a conhecer por números. Em Descartes temos que “as matemáticas têm invenções muito sutis e que podem servir... para facilitar todas as artes e reduzir o trabalho dos homens” (FUKS, org., p. 87). Mostra-se aqui a ciência e sua relação com a técnica, levando à famosa proposta cartesiana do “Penso, logo existo”, frase na qual fica evidenciada que a razão deveria se encontrar livre no pensamento humano, sem quaisquer condicionantes.


INFLUÊNCIA MATEMÁTICA E SOCIAL FRANCESA DO SÉCULO XVIII

A oposição ao newtonismo inglês – representativo da Física na época – começou a arrefecer na França na primeira metade do século XVIII. Uma situação emblemática da presença do newtonismo na França, e que iria culminar com a matematização francesa, é dada por Voltaire. Em 1738 escreve os “Élements de la philosophie de Newton”. Voltaire também teve ligação com certa Madame du Chatelet, tendo com esta uma longa relação por ao menos 15 anos. A Sra. du Chatelet aprendeu inglês para traduzir Isaac Newton para o francês, pois este tornou-se tão popular que chegou a surgir em Paris uma obra intitulada “Newtonismo para Damas”.

A incorporação da ciência nos domínios da cultura e, especialmente, da política tornou-se cada vez mais comum na Europa. As leis de Newton, além de organizar a matéria inanimada, deveriam segundo muitos refletir sua ordem aplicando-se também à vida e à organização social humana. A adequação da teoria de Newton a toda a natureza observada não impressionou somente os matemáticos da época. Atingiu profundo interesse em filósofos como Kant, compelindo-os a justificar a possibilidade do conhecimento racional da natureza que nos cerca.

Para que s leis físicas se tornassem totalmente operativas e pudessem ser aplicadas era, contudo, necessário desenvolver a Geometria Analítica e a Análise Infinitesimal como instrumentos de análise dos fenômenos naturais. Embora a Matemática estivesse sendo cada vez melhor sucedida na explicação dos fenômenos físicos e celestes, ainda fracassava quando usada para resolver problemas técnicos nas artes práticas – a engenharia, que alavancou o desenvolvimento das técnicas. O desenvolvimento do cálculo matemático pós-Newton deu-se com a publicação, em 1748, da “Introductio in analysis infinitorum” de Leonard Euler. Foi a matemática desenvolvida no século XVIII que serviu de base às aplicações nos ensinamentos de engenharia, principalmente militar, primeiro na École Polytechnique francesa e depois nas Techniches Hochschule alemãs.

Denis Diderot e Jean D`Alembert produziram a “Enciclopédia”, uma das mais impressionantes obras livrescas que o homem já produziu. Seu objetivo era nada menos do que contemplar todo o conhecimento científico, artístico e técnico produzido pela engenhosidade humana até o final do século XVIII. Este é o momento conhecido na história como “Ilustração”. Se desde Bacon evidencia-se que o conhecimento científico se operava pelas sensações, é o manuseio dos objetos que levará a conhecê-los tecnicamente. Daí a ideia dominante dos enciclopedistas (adotada também durante a Revolução Francesa) de que toda ciência particular nasce de uma técnica correspondente. A tarefa da ciência seria a comunicação das classificações de fatos por meio de símbolos. E a simbologia mais apropriada seria a Matemática, capaz de descrever adequadamente os fatos da natureza.

A Geometria usada no final do século XVIII oferecia vantagens práticas visíveis a todos, em especial para a engenharia e arquitetura. Por isso alguns pesquisadores modernos, como o físico Mario Schenberg, afirmam que o governo da Revolução foi o primeiro que instituiu a tecnologia como utilização de teorias, métodos e processos científicos na solução de problemas governamentais. Foi a época dos matemáticos Lagrange, Condorcet, Monge, Laplace, Legendre, que não apenas ajudaram grandemente a estabelecer a matemática em sua forma como a conhecemos, como também tomaram parte ativa na própria Revolução social e política que ocorria. Lagrange, por exemplo, foi um dos propositores da reforma dos pesos e medidas de 1790, da qual surgiu o sistema métrico decimal usado até hoje inclusive no Brasil. Condorcet e Monge pertenceram tanto ao Comitê de Instrução como ao Comitê de Obras Públicas durante o período revolucionário. Monge foi encarregado de estabelecer instituições de ensino superior na França, entre as quais a famosa Escola Politécnica. Esta foi uma escola onde a Matemática teve fundamental importância na divulgação e desenvolvimento de novas técnicas estruturais.

Monge, Lagrange e Laplace fundaram também, em 1790, a Escola Normal, que durou pouco tempo, mas na qual um curso de Monge inaugurou uma das disciplinas básicas da engenharia da época: a Geometria Descritiva.


CONCLUSÃO

As propostas introdutórias deste trabalho ficam dimensionadas através do texto quando verificamos a evidente transformação da ciência utilizando a matemática como instrumento quase total para a análise da natureza. A história viu o surgimento do método científico moderno com a abertura de pensamento que culminou no termo “matematização da natureza”. Em menos de um século o semblante da ciência modificou-se tão profundamente que se tornou quase irreconhecível. A técnica desenvolveu-se, servindo ao povo, à política e à ciência, mostrando o quanto o homem é capaz de viver e conhecer o seu meio, explicando-o e possibilitando os grandes debates públicos e laicos.


REFERÊNCIAS


BOYER, Carl. História da matemática. 2ª ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1999.

CHALMERS, Alan. A fabricação da ciência. 1ª ed. São Paulo: Unesp, 1994.

CHEN, Bernard, WESTFALL, Richard S. (orgs.). Newton: Textos – Antecedentes – Comentários, 1ª ed. Rio de Janeiro: Eduerj/Contraponto; 2002;

FUKS, Saul (org.). Descartes, 400 Anos – Um legado científico e filosófico. 1ª ed. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997.

HENRY, John. A revolução científica e as origens da ciência moderna. 1ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.

KOYRÉ, Alexandre. Estudos de história do pensamento científico. 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982.

KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. 9ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2006.

MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. 4ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.

SCHENBERG, Mário. Pensando a Física. 4ª ed. São Paulo: Nova Stella, 1990.

ASSIM FALOU PARACELSO...

Paracelso, pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, (Einsiedeln, 1493 — Salzburgo 1541), médico, alquimista, físico e astrólogo suíço.

Fonte: Site Hermanubis Martinista.

I
Se, por um espaço de alguns meses, observares rigorosamente as prescrições que se seguem, ver-se-á operar em tua vida uma mutação tão favorável, que nunca mais poderás esquecê-las. Mas, meu irmão, para que obtenhas o êxito desejado, é mister que adaptes tua vida à estrita observância destas regras. São simples e fáceis de seguir, mas é preciso observá-las com a máxima perseverança. Julgarás que a felicidade não vale um pouco de esforço? Se não és capaz de pores em prática estas regras, tão fáceis, terás o direito de te queixares do destino? Será tão difícil a tentativa de uma prova? São regras legadas pela antiga Sabedoria e há nelas mais transcendência do que simplicidade, como parece à primeira vista.

II
Antes de tudo, lembra-te de que não há nada melhor do que a saúde. Para isso deverás respirar, com a maior freqüência possível profunda e ritmicamente, enchendo os pulmões ao ar livre ou defronte de uma janela aberta. Beber quotidianamente, a pequenos goles, dois litros de água, pelo menos; comer muitas frutas; mastigar bem os alimentos; evitar o álcool, o fumo e os medicamentos (salvo em caso de moléstia grave). Banhar-se diariamente é um hábito que deverás à tua própria dignidade.

III
Banir absolutamente de teu ânimo, por mais razões que tenhas, toda a idéia de pessimismo, vingança, ódio, tédio, ou tristeza. Fugir como da peste ao trato com pessoas maldizentes, invejosas, indolentes, intrigantes, vaidosas ou vulgares e inferiores pela natural baixeza de entendimentos ou pelos assuntos sensualistas, que são a base de suas conversas ou reflexos dos seus hábitos. A observância desta regra é de importância decisiva: trata-se de transformar a contextura espiritual de tua alma. É o único meio de mudar o teu destino, uma vez que este depende dos teus atos e dos teus pensamentos: A fatalidade não existe.

IV
Faze todo o bem ao teu alcance. Auxilia a todo o infeliz sempre que possas, mas sempre de ânimo forte. Sê enérgico e foge de todo o sentimentalismo.

V
Esquece todas as ofensas que te façam; Ainda mais: esforça-te por pensar o melhor possível do teu maior inimigo. Tua alma é um templo que não deve ser profanado pelo ódio.

VI
Recolhe-te todos os dias a um lugar onde ninguém te vá perturbar e possas, ao menos durante meia hora, comodamente sentado, de olhos cerrados, não pensar em coisa alguma. Isso fortifica o cérebro e o espírito e por-te-á em contanto com as boas influências. Neste estado de recolhimento e silêncio ocorrem-nos sempre idéias luminosas que podem modificar toda a nossa existência. Com o tempo, todos os problemas que parecem insolúveis serão resolvidos, vitoriosamente, por uma voz interior que te guiará nesses instantes de silêncio, a sós com a tua consciência. É o daemon de que Sócrates falava. Todos os grandes espíritos deixaram-se conduzir pelos conselhos dessa voz íntima. Mas não te falará assim de súbito; tens que te preparar por algum tempo, destruir as capas superpostas dos velhos hábitos; pensamentos e erros que envolvem o teu espírito, que, embora divino e perfeito, não encontra os elementos que precisa para manifestar-se.

VII
A carne é fraca. Deves guardar, em absoluto silêncio, todos os teus casos pessoais. Abster-se como se fizesses um juramento solene, de contar a qualquer pessoa, por mais íntima, tudo quanto penses, ouças, saibas, aprendas ou descubras. É uma regra de suma importância.

VIII
Não temas a ninguém nem te inspire a menor preocupação o dia de amanhã. Mantenha tua alma sempre forte e sempre pura e tudo correrá e sairá bem. Nunca te julgues sozinho ou desamparado; atrás de ti existem exércitos poderosos que tua mente não pode conceber. Se elevas o teu espírito, não há mal que te atinja. Só a um inimigo deves temer: a ti mesmo. O medo e a dúvida no futuro são a origem funesta de todos os insucessos; atraem influências maléficas e, estas, o inevitável desastre. Se observares essas criaturas que se dizem felizes, verás que agem instintivamente de acordo com estas regras. Muitas das que alegam possuírem grandes fortunas podem não ser pessoas de bem, mas possuem muitas das virtudes acima mencionadas. Demais, riqueza não quer dizer felicidade; pode se constituir em um dos melhores fatores, porque nos permite a prática de boas ações, mas a verdadeira felicidade só se alcança palmilhando outros caminhos, veredas por onde nunca transita o velho Satã da lenda, cujo nome verdadeiro é egoísmo.