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Coleção Perfis de Notáveis Brasileiros
Parece-me que estão na verdade aqueles que disseram que esta arte de voar se entendia mais com o Santo Ofício que com a geometria,
se eu estivesse no vosso caso dobraria de cautelas, olhai que cárcere, degredo e fogueira costumam ser a paga desses excessos,
mas disto sabe um padre mais do que um soldado. Tenho cuidado e não me faltam proteções.
se eu estivesse no vosso caso dobraria de cautelas, olhai que cárcere, degredo e fogueira costumam ser a paga desses excessos,
mas disto sabe um padre mais do que um soldado. Tenho cuidado e não me faltam proteções.
Trecho do diálogo entre dois personagens do romance Memorial do convento, de José Saramago, o soldado Baltasar Sete Sóis e o padre
Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
A escolha do padre brasileiro para o primeiro título da série oferece a possibilidade de reapresentar a brasileiros e portugueses um homem culto, inventivo e corajoso, cuja vida e feitos permanecem pouco conhecidos até hoje. Além disso, os manuscritos e a história do "Padre Voador", nascido em 1685, em Santos, SP, permitem conhecer uma complexidade de temas que atravessam a história, o pensamento científico e natural, a perseguição religiosa e política e as intrigas da corte portuguesa em Portugal no século XVIII.
A edição é composta por uma apresentação e quatro capítulos assinados por cinco autores que introduzem e refletem sobre os manuscritos relativos a Bartolomeu de Gusmão acompanhados de iconografia variada, que inclui até selos comemorativos e foto do Zeppelin no Rio de Janeiro.
Como um índice em prosa, a apresentação assinada por Ricardo Vieiralves de Castro, Reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, conta como a Coleção Brasiliana da Biblioteca Joanina foi criada, expõe a razão da importância do livro, e insere o leitor no contexto dos ensaios que se debruçam sobre Bartolomeu Lourenço de Gusmão: o padre inventor.
Diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, o físico Carlos Fiolhais assina o capítulo em que se apresenta a Biblioteca Joanina, assim denominada por ter sido construída por D. João V, contemporâneo de Bartolomeu de Gusmão e cúmplice do padre no projeto de voar. O capítulo é uma revelação sobre Portugal no século XVIII.
Outros dois físicos, Francisco Caruso e Adílio Jorge Marques, assinam o capítulo que posiciona o leitor na ciência do século XVIII, demostrando como Bartolomeu de Gusmão transitou pelos conceitos naturais e científicos da época e foi o pioneiro da física aplicada nas Américas.
A historiadora Lorelai Kury, por meio de uma pesquisa rigorosa, redescobre Bartolomeu Lourenço de Gusmão e os mitos construídos em torno de sua história, apesar das poucas fontes existentes para sua biografia. O texto certamente será referência crítica sobre a historiografia do padre precursor do voo em balões.
A historiadora Célia Cristina da Silva Tavares assina o capítulo sobre a ação da inquisição portuguesa no século XVIII. Numa análise histórica cuidadosa, disserta sobre a perseguição aos cristãos-novos e a relação da Inquisição com Bartolomeu de Gusmão.
O projeto gráfico apurado e inovador do livro também chama atenção do leitor. Assinado por Victor Burton, o layout traz manuscritos reproduzidos em tamanho real em pequenos folders acondicionados em uma bolsa na quarta capa.
A coleção Brasiliana da Biblioteca Joanina marca sua estreia de forma promissora.
Sobre os autores:
- Carlos Fiolhais
Licenciou-se em física na Universidade de Coimbra em 1978 e doutorou-se em física teórica em Frankfurt/Main, Alemanha, em 1982. É professor catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra desde 2000. Foi professor nos Estados Unidos e no Brasil. Recebeu a Ordem do Infante D. Henrique em 2005. Ganhou o Globo de Ouro de Mérito e Excelência em Ciência de 2004 atribuído pela SIC e Caras em 2005. Ganhou os Prêmios Inovação do Fórum III Milênio e Rômulo de Carvalho da Universidade de Évora em 2006. É diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.
- Francisco Caruso
Físico formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1980), mestre em física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (1983) e doutor em física pela Università degli Studi di Torino (1989). Recebeu o Prêmio Jovem Cientista do CNPq em 1996. É pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e professor associado do Instituto de Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj, além de professor colaborador do Programa de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da UFRJ. Recebeu o Prêmio Jabuti (2007) e a Ordem do Mérito Científico da Academia Roraimense de Ciências no grau Grã-Cruz (2009).
- Adílio Jorge Marques
Bacharel (1995) e licenciado (1999) em física, títulos recebidos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj. Mestre em astrofísica pelo Observatório Nacional (1998) e doutor em história das ciências e epistemologia (2009) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/HCTE). É professor colaborador na Uerj/Proeper, Uerj e membro da Academia Paraense de Ciências.
- Lorelai Kury
Tem graduação em história pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1986), especialização em Histoire et Civilisations pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (1991), mestrado em história pela Universidade Federal Fluminense (1990) e doutorado em Histoire et Civilisations pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (1995). Atualmente é professora adjunta do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj e da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. É pesquisadora do CNPq.
- Célia Cristina da Silva Tavares
Tem graduação (1985), mestrado (1995) e doutorado em história pela Universidade Federal Fluminense (2002) e pós-doutorado pela Faculdade de Letras de Universidade de Lisboa (2010). É professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj. É coordenadora executiva do Grupo de Pesquisa Companhia das Índias - Núcleo de História Ibérica e Colonial na Época Moderna e líder do Núcleo de Estudos Inquisitoriais - NEI.
Bartolomeu Lourenço de Gusmão: o padre inventor
Andrea Jakobsson Estudio Editorial & Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj
Patrocínio: Odebrecht Infraestrutura
Textos: Carlos Fiolhais, Célia Cristina da Silva Tavares, Francisco Caruso e Adílio Jorge Marques, Lorelai Kury, Ricardo Vieiralves de Castro
96 páginas, 4 livretos, R$ 120,00 - Formato: 23 x 31,5 cm
Lançamento: 23 de agosto 2011
ISBN: 978-85-88742-48-2
Parece-me que estão na verdade aqueles que disseram que esta arte de voar se entendia mais com o Santo Ofício que com a geometria,
se eu estivesse no vosso caso dobraria de cautelas, olhai que cárcere, degredo e fogueira costumam ser a paga desses excessos,
mas disto sabe um padre mais do que um soldado. Tenho cuidado e não me faltam proteções.
FIM
Por: Adílio Jorge Marques – jan. 2007
Interesses, mentiras, maniqueísmo?
Ou desinteresse, sinceridade, altruísmo,
Ego, um, muitos, próximos ou não
Tudo, junto, separado, oposição
Apenas filhos amo
Nos sentimentos que derramo
Acabou, onde antes havia eternidade
Resta traição e saudade
Tempo que não volta
Paixão que não volta
Alegria que se perdeu
Amor que se perdeu
De graça, sem luta
Quase tudo, na disputa
Mas, restou alguma esperança?
Talvez, no coração de criança...
Livro retrata relações entre d. Pedro 2º e professor de ciência
Folha de São Paulo - Domingo, 06 de junho de 2011.
Caderno "Cotidiano", página "Ciência".
Link:
http://www.noticiadehoje.com.br/livro-retrata-relacoes-entre-d-pedro-2%C2%BA-e-professor-de-ciencia/
Pesquisa revela trajetória do naturalista Alexandre Vandelli, mestre de d.Pedro 2º e um dos principais estimuladores da paixão do imperador pelas ciências.
A paixão desse membro da família real brasileira pelas ciências é conhecida dos historiadores. Mas os bastidores do desenvolvimento científico de d. Pedro 2º costumavam passar batido.
Foi nesse universo pouco explorado que o historiador e físico Adílio Jorge Marques se debruçou ao escrever “O Professor do Jovem Imperador” (Ed.Vieira&Lent, 2010).
Nesse trabalho investigativo, Marques trouxe à tona um personagem pouco conhecido na historiografia do Brasil e de Portugal: o naturalista Alexandre Antonio Vandelli.
Ele foi professor de ciências de d. Pedro 2º e, posteriormente, de suas filhas, servindo a família real por mais de duas décadas.
“Levantei todas as folhas de pagamento da família real, e o nome de Vandelli aparece de 1839 a 1862 [ano de sua morte]“, diz Marques.
CAMINHO CIENTÍFICO
Vandelli saiu de Portugal rumo ao Brasil na época do período regencial (1831-1840). Aqui, deu continuidade às suas atividades científicas –muitas delas necessitavam de aprovação de ministérios da época.
Um dos ministros, Bernardo de Vasconcelos, criador do Colégio d. Pedro 2º, convidou Vandelli para fazer a seleção do material de ciências da instituição.
Essa foi a ponte para que o naturalista se tornasse mestre de d. Pedro 2º e da família real já no ano seguinte.
A relação intelectual de aprendiz e mestre está registrada no material didático de d. Pedro 2º, onde Marques encontrou anotações minuciosas de Vandelli. “Na adolescência, d. Pedro 2º já tinha uma tendência natural à erudição”, diz.
O clima entre os dois era muito amistoso, tanto que o professor do imperador participava de todos os eventos que aconteciam na corte, mesmo sem ser nobre.
Até a realização da pesquisa de Marques, feita inicialmente para sua tese de doutorado na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), não havia artigos científicos ou livros que tratassem do trabalho de Vandelli.
Em Portugal, explica o historiador, há uma espécie de resistência sobre a família Vandelli. Há quem diga que eles teriam colaborado com a invasão de Portugal por Napoleão Bonaparte –a mãe dele tinha origem francesa.
“Mas qualquer família portuguesa que tinha ligações com a França foi crucificada nesse período”, diz. “A ideia foi levantar a obra de um personagem importante que ficou no limbo.” Não há nem mesmo registros de sua imagem.
Marques também tentou mostrar que Portugal e o Brasil não estavam à margem do pensamento científico dos grandes centros naturalistas do mundo, como França, Alemanha e Inglaterra.
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